Um pé rapado, sem eira nem beira

Dia 306/365:

E lá vem mais uma encomenda do Renato Xavier, um dos leitores mais assíduos do ‘Obrigada, estou apenas olhando’. Renato é da Epicentro Digital, uma empresa que oferece educação digital para adultos. Já fui lá fazer um curso sobre Facebook. Foi muito legal. Esta é a segunda encomenda que consigo atender. A primeira foi do porquê o porquinho ser usado como cofre. Tem mais uma, mas esta está dando um pouco mais de trabalho e revelo para vocês quando conseguir heheh

Hoje vamos falar de outras expressões da cultura brasileira usadas na época do Brasil Colônia e ainda são lembradas e utilizadas, como por exemplo, ‘pé rapado’ e ‘sem eira nem beira’.

Pra você ver que o bullying não vem de hoje, apesar de que naquela época não tinha um nome tão pomposo. As expressões separavam, claramente, os ricos, aqueles que tinham dinheiro, posses e andavam pelas vilas em cavalos e carruagens; e os sem-dinheiro, os pobres, que andavam a pé.

Naquela época, as ruas de terra batida ou deixavam roupas e sapatos empoeirados (em tempos de seca) ou enlameados (em tempos de chuva). Por não ter condições financeiras, cavalos, carruagens ou liteiras para se locomover, os mais pobres estavam com os sapatos sempre sujos. Por isso, era costume ter que limpar os pés na entrada das casas e prédios públicos antes de entrar. Na frente deles havia esta ferramenta que trago na imagem deste post.

Lembro que minha mãe me contou uma vez que foi a pé para a igreja (era sua primeira comunhão) levando o vestido para vestir quando lá chegasse. Caminhavam muitos quilômetros para chegar aos seus destinos e, quando chegou na igreja, com os pés sujos, lavou-os antes de calçar os sapatos brancos para participar do evento católico.

Embora o apetrecho para limpar os pés não sejam mais utilizados a expressão continua firme e forte. Fulano é um pé rapado, ou seja, não tem dinheiro ou está mal financeiramente. Outra variação desta expressão é ‘pé-rachado’ , usada também para designar pessoas da roça, do campo e de origem humilde.

Sem eira nem beira

“Sem eira nem beira” é outra expressão que tem a ver com as condições financeiras de uma pessoa. Dizer que uma pessoa não tem eira nem beira é o mesmo que dizer que ela ‘não tem onde cair morto’, outra expressão ligada às finanças. As expressões e mais bullying vieram de Portugal, num navio hehehe

A palavra eira vem do latim “area”, significando um espaço de terra batida, lajeada ou cimentada, próximo às casas, nas aldeias portuguesas, onde se malhavam, trilhavam, limpavam e secavam cereais. Depois da colheita, os cereais ficavam ao ar livre e ao sol, a fim de serem preparados para a alimentação ou para serem armazenados. Assim, quem  possuísse uma eira era proprietário e produtor, com terras, casa e bens, ou seja, tinha riqueza, poder e status social.

Já a beira é a aba da casa, aquela extensão do telhado que serve para proteger da chuva. Quem não tem eira nem beira não tem uma casa para morar. Hoje em dia seria o morador de rua, que vive em extrema pobreza às margens das cidades e estradas aguardando por dias e melhores condições para si mesmo e suas famílias. Esperando um governo que olhe por ele.

Não pratique bullying hein… As expressões são pejorativas para designar as condições financeiras de alguém a partir de seu aspecto visual. Acredito que muitos ‘pé-rapados, sem eira nem beira’ eram mais felizes e tranquilos do que muitos abastados. Não podemos tratar diferente uma pessoa pela sujeira de seus sapatos ou da barra de suas calças, pois, Deus cuida e trata a todos com igualdade. Se Ele é assim, quem somos nós para fazer diferente? Que possamos ver beleza e tratar as pessoas pelo que elas são e não pelo que tem ou não tem. 😉

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